Tem que meter a colher sim!

No último dia 7 de agosto, comemorou-se os 11 anos da Lei Maria da Penha, talvez a Lei mais conhecida pela sociedade brasileira. E só é conhecida porque, ainda nos dias de hoje, parece que muitas pessoas consideram natural um homem tomar para si o direito de humilhar, bater, estuprar ou mesmo matar uma mulher.

O escritor, negro e também grande entendedor brasileiro das minorias sociais, Lima Barreto, já em 1915, falava sobre o feminicídio. Ele escreveu um texto chamado “Não as matem”.  Reparem, ele escreveu em 1915. E 102 anos depois, o texto é extremamente atual. E por que é atual? Porque parece que não houve evolução no pensamento machista que ainda domina a nossa sociedade.

Também no dia 7, a Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) prendeu 36 pessoas suspeitas de violência sexual e doméstica durante a operação batizada de “Comigo não, violão”.

Este termo é muito popular e me lembra outro, que ainda é seguido por parte da sociedade: “Em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”.

E é justamente por “não meter a colher” que muitas mortes aconteceram. A sociedade tem que reconhecer seu papel, sua responsabilidade neste assunto para que a gente possa avançar. Tem que meter a colher, sim!

Ontem (6), também o Instituto de Segurança Pública (ISP), divulgou o Dossiê Mulher 2017, com os principais crimes relacionados à violência contra a mulher no Estado do Rio de Janeiro. Os homicídios contra mulher subiram 5,5%, passando de 360 casos para 380.

É por isso que se devemos sim meter a colher. Denunciando, apoiando as vítimas para que elas denunciem e usando os instrumentos que temos como o Disque 180.

Senhor presidente, senhoras deputadas e senhores deputados: eu, como mulher nordestina e negra, espero que a sociedade mude.

Espero que, daqui a alguns anos, a Lei Maria da Penha, cumprindo o seu papel, continue sendo conhecida por toda a sociedade como uma proteção efetiva do direitos da mulher.

E, acreditando numa mudança, que ela não precise ser tão utilizada como é nos dias de hoje.

Eu espero que a sociedade deixe de lado o seu machismo, entranhado, arraigado, e acabe de uma vez por todas com a violência contra a mulher.

*Tia Ju é pedagoga, especializada em Direitos da Criança e do Adolescente e exerce o mandato de deputada estadual pelo PRB-RJ.

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