Novo microscópio dobrará número de cirurgias de catarata no Hospital Miguel Couto

Voltar a enxergar é o sonho de milhares de pessoa que sofrem de catarata, uma doença que atinge o cristalino do olho e causa diminuição da capacidade visual. No Rio de Janeiro, os pacientes do Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, que há tempos aguardam na fila pelo procedimento de correção da doença, receberam um presente nesta sexta-feira (10/03): um microscópio oftalmológico de última geração que permitirá dobrar de 30 para 60 a média mensal de cirurgias realizadas na unidade. Entregue pelo prefeito Marcelo Crivella, o novo equipamento já será utilizado nos procedimentos de hoje e no mutirão de cirurgias de catarata, que a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) realizará em abril com expectativa de atender 50 pacientes em uma semana. Com o aparelho, doado à Prefeitura do Rio pela Rio Ônibus, espera-se manter uma das principais metas da nova gestão: reduzir o tempo de espera de pacientes na fila por procedimentos.

– Os médicos do Miguel Couto operavam com um microscópio de 1977, que às vezes quebrava no meio da cirurgia. Agora estão felicíssimos porque têm, segundo eles, o melhor que existe no mercado para fazer as cirurgias no nosso povo. Agradeço muito o Rio Ônibus, que nos doou o aparelho. Serão milhares de pessoas beneficiadas. Chegou a hora de cuidar das pessoas. A maior riqueza na vida de alguém é a sua saúde – disse o prefeito Marcelo Crivella, que visitou a sala de cirurgias oftalmológicas e conversou com os pacientes que serão operados hoje com o novo microscópio. O presidente do Rio Ônibus, Lélis Teixeira, acompanhou a visita.

Além de catarata, o microscópio cirúrgico oftalmológico da marca Carl Zeiss – marca alemã apontada como uma das melhores do mercado – também será usado para pequenas cirurgias oftalmológicas como pterígio e calázio (tersol). Segundo a direção do Miguel Couto, cerca de 150 pacientes aguardam na fila interna da unidade por procedimentos de catarata. Já os pacientes que precisam da cirurgia para a correção de pterígio e calázio são encaminhados, de acordo com a demanda, para o hospital por meio do Sistema de Regulação (SISREG). Cerca de 140 mil pessoas estão no SISREG aguardando a oportunidade de realizar algum procedimento na rede pública, seja cirúrgico, consultas ou exames.

Segundo o secretário municipal de Saúde, Carlos Eduardo Mattos, a previsão é que o novo equipamento zere a fila interna do hospital:

– O novo microscópio é motivo de grande alegria, uma vez que vai diminuir o tempo de espera das pessoas na fila. Em até um mês e meio pretendemos acabar com a espera dos 150 pacientes que aguardam o procedimento. Todo mês, cerca de dez mil pessoas nos procuram com demandas oftalmológicas, sendo que a nossa capacidade é de seis mil atendimentos, o que ocasiona um acúmulo mensal de quatro mil. Por isso, vamos fazer um mutirão de cirurgias de catarata que, certamente, vai absorver pacientes de outras regiões.

Moradora do município de Nova Iguaçu, Edilene Guimarães Antônio, de 61 anos, descobriu estar com catarata durante uma consulta. Ela acreditava que a dificuldade que tinha para ler se devia à falta de óculos. Após o diagnóstico, precisou esperar um ano para, enfim, se livrar do problema nesta sexta-feira.

– Quando descobri que tinha catarata, tentei operar em unidade particular, mas era muito caro e preferi esperar. Procurei o Hospital Miguel Couto e fui muito bem tratada aqui. Tenho certeza de que a cirurgia fará um bem enorme, não só a mim como às pessoas que esperam por ela – afirmou Edilene.

Na fila para a cirurgia há cerca de dois anos, a auxiliar de serviços gerais Ângela Maria da Silva Andrade, de 62 anos, parecia não acreditar que sua hora tinha chegado. Para ela, moradora de Jacarepaguá, um equipamento moderno é sinônimo de sucesso garantido:

– A cirurgia será um sucesso, não tenho dúvidas. A equipe, que já era muito boa sem o equipamento, poderá fazer um trabalho ainda melhor. Outra coisa importante é que esse microscópio vai ajudar a desafogar a fila do hospital. Atrás de mim, existe muita gente esperando pela mesma oportunidade.

Com um sorriso no rosto. Foi assim que o aposentado Jorge Luiz da Silva, de 55 anos, acordou nesta sexta-feira, especialmente quando soube que seria um dos primeiros pacientes a utilizar o novo microscópio:

– Minha expectativa é a melhor possível. Ser um dos primeiros é um orgulho. Há um ano aguardo pela cirurgia. Já operei outras vezes, mas o resultado não foi o esperado. Agora tenho absoluta certeza de que o problema terá fim. Também fico feliz por saber que outras pessoas, assim como eu, também serão beneficiadas.

Em fevereiro, o Hospital Miguel Couto deu outro grande passo para a redução do tempo de espera dos pacientes por serviços de endoscopia digestiva e colonoscopia, com a inauguração de um setor dedicado à realização dos exames, com capacidade de realizar, por mês, cerca de 130 exames de endoscopia e 40 de colonoscopia, com vagas ambulatoriais ofertadas pelo SISREG. Os dois procedimentos estão entre os dez com as maiores filas de espera, com mais de 4 mil pessoas aguardando pela chance de fazer um deles.

Com os esforços concentrados desde o início do ano, a nova gestão da Secretaria Municipal de Saúde já conseguiu abrir vagas e acelerar a realização de procedimentos em alguns dos serviços com maior demanda. Além disso, são feitos ordenamentos das filas e agendas de hospitais da rede própria e novas parcerias com hospitais universitários e federais. Com isso, foi possível o aumento da oferta de serviços em unidades como o Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, em Acari, e os hospitais universitários Gaffrée e Guinle, da Unirio, e São Francisco de Assis, da UFRJ, além do próprio Hospital Municipal Miguel Couto.

Autor: Flávia David
Fotos: Ricardo Cassiano

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